Sexualidade e Gravidez

Apesar da fragilidade da pele e mucosas, não há impedimento para atividade sexual em pacientes com EB.  

Existem cuidados como lubrificação e delicadeza durante o ato sexual, mas não há maior formação de bolhas.  E se a gravidez não é um objetivo, precisa tomar medidas de contracepção.

Em relação à gravidez, há poucos artigos na literatura médica, porém os relatos mostram que é perfeitamente possível. Sempre que a (o) paciente com epidermólise pensar em uma gestação é necessário fazer uma consulta com o geneticista, para avaliar o risco de transmitir a doença para a próxima geração. Um aconselhamento genético é importante nesse momento, já que a forma simples e a forma distrófica dominante tem uma chance de 50% de transmitir o gene defeituoso para próxima geração e na forma juncional e distrófica recessiva, a chance é de 25%. Essa porcentagem se repete em cada gestação.

Durante a gravidez, não há aumento da formação das bolhas nem piora do quadro de Epidermólise. Nos casos de EBDR e EBJ, onde há um quadro de desnutrição crônica mais acentuada, devemos dar maior atenção nas reposições de suplementos vitamínicos e oligoelementos, pois há um aumento das necessidades pela própria gravidez.  Há uma associação maior de bebês de baixo peso, nas mães com EB com maior comprometimento da doença, como na forma distrófica e juncional. Nas formas simples, a gravidez pode ser conduzida como na população em geral, sem problemas ligados a Epidermólise. E homens afetados com todas as formas de EB, tiveram filhos e puderam acompanhar seu crescimento. Em relação ao parto, não há indicação absoluta de indução de parto cesárea. Apesar do temor de causar maior quantidade de bolhas durante o trabalho de parto vaginal, nos casos relatados isso não foi confirmado. Tampouco ocorreu estreitamento do canal vaginal ou cicatrizes por causa dos partos vaginais. Em muitos artigos, citam a via vaginal como primeira opção para o parto das pacientes com EB.

A indicação de cesárea não é uma alternativa muito simples, uma vez que a formação de bolhas na região da coluna vertebral, muitas vezes impedem a realização da raquianestesia, bem como as lesões de mucosa oral e microstomia, dificultam a anestesia geral, além de aumentar o risco de trauma em vias áreas, muitas vezes aumentando o risco pós operatório.

A amamentação é estimulada desde que não haja muitas lesões em região do mamilo. A maioria dos casos descritos na literatura conseguiu amamentar sem dificuldades.

Na literatura científica descrevem-se alguns casos de pacientes com formas mais graves de EB e que tiveram seus filhos sem nenhuma complicação e puderam criá-los sem restrição. Inclusive casos como de duas pacientes, uma com EBJ e outra com EBDR que tiveram seus filhos, os criaram e ainda tornaram-se avós.

Dra Jeanine Magno Frantz CRM SC 7205