Ultimamente eu tenho recebido perguntas e comentários sobre o uso de produtos ditos “naturais”, extraídos de uma raíz, chamado Jalapa ou batata de purga. Muito cuidado com o uso desses chás, que prometem melhora das lesões de Epidermólise Bolhosa, pois são plantas consideradas tóxicas e que podem levar o paciente já debilitado à desidratação e distúrbios metabólicos e até ao óbito. Abaixo o link de uma pesquisa publicada em julho de 2016 numa revista médica indexada que avaliou o grau de toxicidade de diversas plantas oriundas do nordeste. Não conseguiram provar o efeito terapêutico das plantas, mas o efeito tóxico foi bem definido.

Esse é o trecho traduzido da Conclusão do trabalho:

“O B. sericea, D. repens, H. bracteatus, I. purga, I. coccinea, M. piriri, O. longifolia e plantas P. capitata foram identificados como tendo efeitos citotóxicos potentes. Novos estudos são necessários para determinar os mecanismos de citotoxicidade expostos e as suas atividades in vivo. Este trabalho reforça a necessidade de compreender as terapêuticas potencialidades de plantas medicinais brasileiras.”

Essas plantas são CONTRA INDICADAS em crianças e gestantes. Quem se dispõe a usar esses chás e disseminar o seu uso através de propaganda na rede, devem ser responsabilizados pelos prováveis efeitos colaterais que surgirem.

O bem estar das pessoas com Epidermólise Bolhosa é uma luta de muitos profissionais, inclusive a minha luta pessoal. Por isso acho importante fazer essa orientação. Todos esperamos que a cura chegue, mas para que um tratamento curativo seja eficaz, o paciente deve estar minimamente estável. Não pode ficar exposto a efeitos colaterais de plantas tóxicas ou ser cobaia de medicamentos sem comprovação científica.

Fonte: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4938922/